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4 de dez. de 2012

OPINIÃO: Rafinha Bastos consegue estar errado até quando está certo



Reza a sabedoria masculina que “não importa o quanto se discuta com sua mulher, ela sempre terá razão”. Com Rafinha Bastos ocorre basicamente o mesmo, mas ao quadrado: não importa quem discuta com ele, homem, mulher ou feto, o outro sempre terá razão.

Exemplo disto foi esta última polêmica envolvendo o humorista e o apresentador Luciano Huck. 

Primeiro Rafinha manda uma “carta” á Luciano Huck desfilando a mais fina ironia: “Luciano, você bebeu antes de dirigir. Fez merda. Mas não se preocupe: Para a maioria do país, comunicador FDP não é aquele coloca a vida dos outros em risco, é aquele que fala o que pensa. Fique tranqüilo. (..) Você não vai jogar fora toda uma credibilidade construída durante anos de assistencialismo barato na TV, não é?” 

Logo depois, para espanto de muitos ... pediu desculpas ao apresentador: “Li e reli o meu post anterior e decidi escrever. Personifiquei a minha ira contra a hipocrisia do planeta na figura do Luciano Huck. Estou aqui apenas para deixar claro que desta vez sinto que me equivoquei. Errei e por isso peço desculpas”.

Á despeito da possibilidade de tudo não passar de uma polêmica fabricada para manter o comediante na mídia, ou combinada com o apresentador para promover algum produto ou campanha, ficam algumas constatações:

1) É curioso, curiosíssimo que um cara como Luciano Huck, todo certinho, todo bom moço, diga que apóia o lema “Se Beber Não Dirija” e faça justamente ao contrário. Pior que isso: se negue á fazer o teste do bafômetro (o que é muito, mas muito pior).

2) É triste perceber que mesmo quando está certo, Rafinha consegue se dar mal. Quando se retiram as expressões do tipo “fez merda” e “seu bosta” a mensagem é dura, mas não ofensiva. Vale mais uma vez aquela constatação: quando se opera no limite entre a acidez e a grosseria ... não tem jeito. Às vezes se está lá .. num piscar de olhos, se está cá. Ademais, se um dos poucos "patrimônios" que restou á Rafinha foi sua capacidade de bancar o que diz, fica complicado pedir desculpas. Desta vez, ele conseguiu, numa tacada só, desagradar seus fãs e municiar seus críticos. Ótimo .. só que não.

3) O diagnóstico não é meu, mas assino embaixo: as celebridades brasileiras não suportam qualquer tipo de critica. E assim a sociedade vai ficando cada vez mais ... chata. Não há muito espaço para o contraditório, para discussão .... só consenso. Note o seguinte: Huck sequer se deu ao trabalho de responder pessoalmente á carta de Rafinha. Foi sua assessoria que anunciou a intenção de processar Bastos.

24 de jul. de 2012

EDITORIAL - A maior baboseira de todos os tempos?

Por Pilão de Moraes

Demorei um pouco pra assistir o tal "O Maior Brasileiro de Todos os Tempos". Demorei um cadinho mais para entendê-lo.

Nada á acrescentar quanto ao formato um tanto "brega" que o SBT deu ao programa e seu cenário (afinal é o SBT).

Nada á declarar também com relação aos números musicais de Amado Batista e Ana Paula Valadão (quem?). No minimo, de gosto duvidoso.

Acho porém que este programa tem, antes de tudo, muito á dizer quanto a nossa "auto-imagem" enquanto brasileiros.

Talvez boa parte das pessoas não saiba que esta atração nasceu na verdade na Inglaterra. Lá o "100 Greatest Britons" foi exibido á dez anos atrás, sendo posteriormente exportado para outros países. Em 2006, foi a vez de nossos patrícios portugueses votaram nos "Grandes Portugueses".

Em cada novo país, uma nova polêmica. Nada mais natural.

Em primeiro lugar porque qualquer tipo de ranking é polêmico. Por um lado, pelos nomes que não estão lá; por outro, pela ordem dos nomes que estão. Ademais, é de se esperar que numa lista de preferências tão extensa seja praticamente impossível que as pessoas elenquem os mesmos nomes, na mesma ordem.

No Brasil, pelo menos num primeiro momento, a polêmica parece estar mais centrada na qualidade dos nomes que compõe a lista do que propriamente na ausência de personalidades importantes que poderiam ser lembradas.

Seria este o sinal de que?

Quando olhamos a lista britânica, por exemplo, composta por reis e rainhas, recheada por nomes como Charles Darwin, Isaac Newton e William Shakespeare; ficamos propensos á pensar que nosso ceticismo quanto ao "bom gosto" do brasileiro tem lá sua razão ser. Já quando olhamos a lista portuguesa e encontramos o técnico de futebol José Mourinho afrente de Pedro Alvares Cabral e dos escritores José Saramago e Eça de Queiroz, suspeitamos que nossos anacronismos vêm de berço.

Mas será que os nomes da lista brasileira são assim tão ruins?

Entrar no debate sobre a "qualidade" seria mergulhar na mesma polêmica rasa. Talvez fosse melhor encarar o programa como um pequeno "retrato" do Brasil e de como pensam os brasileiros.

Os variados nomes ligados ao mundo evangélico retratam sem dúvida um país cada vez menos católico, mas religioso sobretudo. Os dez nomes ligados ao futebol falam sobre o óbvio: a paixão do brasileiro pelo esporte. Os nomes de algumas celebridades, atores e atrizes talvez sinalize para uma certa dificuldade que temos em diferenciar "o mais importante de todos os tempos" do "mais famoso de hoje". Nada crônico e/ou muito diferente do já observado lá fora. Um "vício" esperado quando se trata de votações populares (ainda mais na internet).

Acima de tudo, penso que ao observar a polêmica e a repercussão á respeito dos nomes e da lista fica muito claro um outro traço cultural genuinamente nacional: o famoso complexo de vira-lata. Não só pela pouca valorização de nomes importantes que estão na lista, mas também por não reconhecermos que em todas as votações pelo mundo se produziram "absurdos"; de forma que o "mau gosto" não é, de jeito algum, uma reserva de mercado tupiniquim.

Seria absurdo comparar o Padre Landell de Moura (pioneiro em transmitir a voz humana por rádio com sucesso) á outros inventores como Benjamin Franklin ou Leonardo Da Vinci? Guardadas as devidas proporções e levando em consideração o contexto de cada país .. não. Será que Machado de Assis "fica devendo" para os grandes nomes da literatura mundial?

A crítica e contestação generalizada á alguns nomes, sem que outros sejam apontados como alternativa, também é bastante sintomática: podemos até não concordar com certos nomes, mas somos relativamente incapazes de apontar outros, "melhores". Por que será?

No fim, a lista brasileira dos "Melhores de Todos os Tempos" é tão boa ou ruim como a de qualquer outro lugar. Nem melhor, nem pior. É só uma lista.

16 de jul. de 2012

CRÍTICA - Pânico na Band e o culto ao mau gosto (Parte II)

Por Pilão de Moraes



As imagens falam por si (á partir de 8:30).

Não é de hoje que o Pânico mistura vida privada e vida pública de seus integrantes. Ontem mesmo, ao anunciar um concurso que "escolherá" um novo namorado para Sabrina Sato, Emílio Surita confirmou esta "suspeita" afirmando com todas as letras: "este programa nunca separou vida pública e vida pessoal".

Ok. É uma opção "editorial" do programa que, aliás, explica em parte seu sucesso.

Ok. Se os integrantes aceitam .. quem somos nós pra questionar?

Bem. Talvez tenha chegado a hora sim de questionar.

Olhando de relance, podem parecer engraçadas as expressões de asco e as insistentes reclamações de Evandro Santo enquanto as panicats rebolavam á poucos centímetros da sua face.

Mas será que são mesmo?

Um olhar um pouco mais atento dá conta que, na verdade, aquilo só foi "divertido" para o resto do elenco que fazia a cena. Afinal, á quem mais poderia ser engraçada uma cena de strip tease? Para o público, pouco importava quem estava ali deitado. Mas para o Pânico, e somente pra eles, fazia toda a diferença que estivesse ali o intérprete de Christian Pior.

Esta é a questão. A única fonte possível de "graça" da cena esta justamente na humilhação, no vexame, na vergonha de Evandro Santo. Isto é o que preocupa. Quando o humor chega ao ponto de perder qualquer possibilidade de argumentação, de diálogo com o o risível e o cômico, resta somente o apelativo.

Pior. Há claramente um certo "Q" de sadismo na cena, uma mistura doentia de "humor", sexo e humilhação digna de análise psicanalítica. É muito preocupante que os milhões de jovens que compõe o público do programa comprem a ideia de que humilhar homossexuais seja engraçado. Pode até não parecer, mas este é o lado "cômico" do mesmo pensamento que julga ser possível "corrigir" o "distúrbio" do "homossexualismo".

Afinal, o que se esperava: captar uma ereção que comprovasse os sucesso do "tratamento de choque"?

Não é de se admirar que cada vez mais pessoas comentem as matérias deste blog com relação Pânico usando frases como "não vejo mais" ou "perdeu a graça".

Lá pela onze e tanto, enquanto sob pretexto do riso, o Pânico tirava os sutiãs de suas panicats, o Multishow exibia um daqueles "porno soft". Aqueles, que não enganam ninguém.

De melhor qualidade, sem dúvidas.  

Num ponto, contudo, ambas as atrações são absolutamente similares: se no pornô da Multishow não há sexo, no humor da Band, não há graça.



              

28 de mai. de 2012

CRÍTICA: "Saturday Night Live" estréia com a dificil mensão de fazer humor sem bunda





Via Pilão de Moraes

O humor no Brasil mudou. E bastante. Eis ai o bom(?) e velho(ok) Casseta e Planeta que não nos deixa mentir. 

Mudou e cresceu de uma tal maneira que hoje há espaço não só para que um, mas dois programas do genêro desafiem a hegemonia do "Fantástico" nos domingos á noite. 

Quando o Pânico o fez parecia loucura. 

Quis o destino que, 9 anos depois, a mesma Rede TV! aceitasse novamente o desafio: lançar um humoristico no domingo á noite. E pior .. concorrendo agora contra sua própria criação: o Pânico. 

E começou muito bem com a escolha do horário (20:30): ao mesmo tempo que concorre com o Pânico, acaba servindo de "esquenta". Como geralmente a primeira hora do programa da Band é recheada de comerciais, é possível que o telespectador se divida entre os dois programas até as dez da noite. 

Boa! 

Mas foi a única bola dentro da noite. 

A imagem ao vivo estava longe, mas muito longe do padrão HD. 

O cenário. Deus, o que era aquilo? (quem se lembra do programa do Fabio Jr. na Record?) 

A abertura, recheada de ações comerciais, já conferia um certo tom "poluído" que se confirmou durante o programa. Um verdadeiro festival de "spams". 

É o preço que se paga pra ter Rafinha Bastos. 

Isto e um bom departamento jurídico, é claro. 

Mas verdade seja dita: o programa nem pegou assim tão pesado. Talvez a piada mais "aguda" tenha sido justamente com Luciana Gimenez, "primeira dama" da emissora.

Mas sim, Rafinha mencionou antigos desafetos como Ronaldo, Preta Gil .. sem citar no entanto o nome da cantora Wanessa. 

Nada também sobre Band ou CQC. 

Quem esperava um "Programa do Rafinha" acabou quebrando a cara. O elenco é bom, segura as pontas. 

Do mais, pode-se dizer que foi uma estréia "morna". A baixa audiência confirma esta tese.

Algumas esquetes tiveram uma pegada muito "Monty Python" e acabavam ficando um tanto "fora do lugar".  

Já o contéudo mais "internético" - vídeos curtos sobre um assunto pontual, algo que o Rafinha e tantos humoristas fazem a anos - se sairam bem melhor. 

A atração musical não "ornou". Só fez lembrar ainda mais o programa do Fabio Jr. Um verdadeiro alien no palco - papel aliás muito bem desempenhado por Marina Lima. 

No geral, nota 5. Espero ver mais ousadia nos próximos programas. E mais ousadia não quer dizer mais grosseria .. ok? 

O grande desafio deste projeto será sobretudo, "desacostumar" o público do jeito Pânico de fazer humor. E por jeito Pânico entendam .. bundas. Porque foi justamente assim que o Pânico começou seu embate com o SNL: "Prainha Gente Fina" neles. 

E ai o telespectador que zapeava entre os dois programas se perguntava: fico com o humor "inteligente" ou com a gostosa fazendo levantamento de peso? Eis a questão. 

Talvez Rede TV!, Rafinha e sua turma descubram, mais cedo ou mais tarde, que estão á gritar entre surdos. 


ps 1: ficou na cara que Dani Calabresa e Adnet cairiam como uma luva neste programa. A questão é: teria espaço pra todo mundo? A Rede TV! quis (e com razão). O Jornal apresentado por Rafinha tinha a cara do Furo MTV. 

ps2: tá na cara também que o programa tem o jeitão do Sabádo. Até mesmo a coisa da esquete já está mais assimilada pelo público via Zorra Total. Ou seja, seria muito mais fácil competir neste terreno. A comparação ficaria mais nítida ... 

ps3: depois da Comédia MTV, do SNL, do Pânico .. alguém mais vai fazer piada com o depoimento da Xuxa? Praça é Nossa, Zorra, Datena ... alguém?

1 de fev. de 2012

TV paga ganha canal de comédia



Estreia hoje, na TV paga brasileira, um canal dedicado ao riso: o Comedy Central. A novidade, que já tem espaço garantido na Sky, Embratel e Oi, negocia com a Net e quer investir em produção nacional. O primeiro passo é a cobertura do Risadaria, grande evento de humor que acontece em março, em São Paulo. O Comedy Central vai exibir os bastidores e entrevistas com os participantes.

O canal também pretende realizar um "Roast" com uma personalidade brasileira, uma sabatina em que a pessoa é alvo de muitas piadas, assim como a que fez com Charlie Sheen em 2011.

COMENTÁRIO Excelente notícia! Claro que é muito cedo pra falar se vai dar certo ou não. Se vai haver espaço pra todos ou só para alguns (o que é muito importante). 

Mas independente disso, uma constatação é evidente: nem construção cívil, nem engenharia do petróleo .. o setor que mais cresce no Brasil hoje é o de Humor & Comédia! Claro que  isso é um exagero, mas é muito bacana para quem gosta e acompanha a área perceber quanto os espaços e oportunidades de trabalho tem crescido ultimamente. A poucos anos sequer existiam muitos grupos de comédia. Bares de comédia então? Menos ainda. Aos poucos, contando certamente com a divulgação  e propagação de seu material em mídias não convencionais como a internet, esta nova geração do humor foi tomando a cena. Começou, vez ou outra, à pipocar na tv. E agora está ai .. no ar em práticamente todos os canais da tv aberta e estreiando um canal especifico ao genêro na rede fechada. Claro que haverão problemas. Mal-entendidos, polêmicas, suspensões, cancelamento de programas ... normal. Mas o mais bacana é perceber o quanto já se avançou .. e principalmente, o quanto ainda se pode avançar. Fiquem ligados! Tem muita gente boa quebrando tudo nos palcos por ai, mas que ainda vai aparecer pro grande público ..

24 de out. de 2011

ESPECIAL 5 VISÕES DO HUMOR: "O Absolutismo do ''Eu'' no Humor Midiático"

por Victor Seiji Endo


Nos dias atuais, ou como alguns costumam chamar, de ''pós-modernidade'', vivemos um constante processo de liquidificação e fragmentação dos valores concretos que permeiam ( ou permeavam ) a existência de qualquer sociedade ou da própria convivência social, como já dizia o sociólogo polonês Zygmunt Bauman em seus diversos livros escritos, como ''Amor Liquido'' e ''A Sociedade Individualizada''. Em uma das áreas onde esse processo se verifica seria nos meios de comunicação televisivos por exemplo, e principalmente no âmbito humorístico. Farei aqui uma descrição OPINATIVA ( sem querer entrar em uma análise de fato ) mais generalista e não particularista, pois acredito que a atitude de um ou outro comediante não é o suficiente para diagnosticar o fenômeno ou fato geral.

Tem-se legitimado ou aceitado como ''liberdade de expressão'' o ''humor'' e ´piada'' sobre tudo e todos, esquecendo-se que há claramente um distanciamento monumental entre os conceitos de sarcasmo, ironia, comédia e bom senso. Isso feito em prol dos discursos da Legalidade constitucional, da plena liberdade individual e até mesmo, por incrivel que pareça, dos direitos humanos.

Ora, se formos limitar essa questão somente para estes pontos ou estaremos sendo totalmente egoistas ou positivistas demais, jogando a discussão para uma dimensão onde ela estaria encerrada e qualquer tentativa de por em cheque esta interpretação seria vista como ''autoritarismo'' ou ''fascismo''. Nisto eu faço uma provocação, quem é o autoritário ou fascista da história??

A partir do momento que aceitamos a total liberdade de um individuo de fazer piada de tudo o que bem entender negamos, em primeiro lugar, o fato de que o discurso de um individuo pode se tornar um instrumento de PODER e MANIPULAÇÃO e incitar outros corpos a exercitarem nas práticas cotidianas aquilo que foi dito, como Michel Foucault já dizia em seu livro ''Microfisica do Poder''. Em segundo lugar, nós estariamos apoiando a idéia de que cada um é ''absoluto de si mesmo'', ou seja, ''faço e falo o que bem entender e as normas sociais ( que é diferente de lei escrita veja bem ) que se danem''. O que é gerado com tudo isso seria um multi ou pluri-autoritarismo onde a cada um seria dado a liberdade para fazer o que bem entender, sem nenhuma regulamentação, lembrando claramente um ''estado de natureza hobbesiano'' de ''guerra de todos contra todos''. No caso nem posso imaginar o Poder estatal de fato dado a pessoas deste tipo, e o que os mesmos fariam com ele. O sujeito é um ser social, ele não está apartado de uma coletividade por mais que queira. Em terceiro lugar, o apoio à idéia de liberdade total do humor é acompanhada de um profundo desconhecimento na minha concepção da diferenciação básica existente em qualquer sociedade de um espaço público e espaço privado. Todo tipo de piada seria permitida até o momento em que ela não afeta a vida pessoal de cada um e fique no ambito público-societal, o que gera muitas distorções e contradições no discurso da defesa destas práticas de ''humor''. É muito fácil apoiar piadas como ''mulheres feias deviam agradecer pelo estupro'' ou ''Fulana de tal é tão gostosa que eu comeria até seu bebe'' quando a pessoa mencionada não é você própria. Se for assim, posso muito bem falar para um desconhecido ou um amigo próximo que ''seu filho de 1 ano é tão gostosinho que eu fuderia ele até à medula'' ou ''sua avó é tão velha que já era para ela estar morta e sendo comida por vermes''. Novamente penso em práticas como essa se tornando um Imperativo categórico Kantiano.

Por último, e em quarto lugar, estariamos, com a prática do ''absolutismo de si mesmo'' como havia dito antes, reiterando a visão do ''relativismo axiológico'' e até mesmo ''cultural''. A cada um seria dado a liberdade de fazer tudo o que bem entender porque o comportamento está de acordo com sua cultura ou lógica de vida. Ora, veja bem,pra que criticarmos no fim das contas o Nazismo ou o Imperialismo norte-americano então?? Pra que ficarmos indignados quando o Sr. Boris Casoy chama de ''seres humanos baixos'' um grupo de garis sendo que ele falou isso pensando que estava em OFF?? Cada um é livre para fazer o que bem entender não é mesmo?? Boris Casoy não pode falar mal de garis porquee ele é ''de direita'' e Rafinha Bastos poderia porque ele é ''engraçado''?? NÃO FAZ SENTIDO.

Lembrando que escrevo este texto para abrir a discussão, e não fecha-la. Para mim ela é muito complexa e não daria para sintetiza-la em uma única escrita, sendo muito mais conveniente que a discussão seja desenvolvida em tempo real entre as pessoas com opiniões bastante distintas. Isso sim é que seria para mim um principio de LIBERDADE.
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20 de out. de 2011

ESPECIAL: 5 VISÕES DO HUMOR - "DESCOMEDIDO"

por Raffaella Giannini


Dura um mês a polêmica sobre o episódio em que Rafinha Bastos disse, ao vivo, que comeria Wanessa Camargo e o filho que ela espera. Dando continuidade ao especial "5 Visões do Humor", teço aqui os fios emaranhados de uma opinião particular.

Descarto qualquer defesa do politicamente correto ou socialmente aceito. Isso não cabe no humor. Qualquer piada é... feita de estereótipos: a loira, o negão, o gay, o português, a mulher, o pobre, o judeu, a gorda. Ah, tem os que aparentemente não se encaixam nesta teoria: falar sobre sexo, falar sobre drogas, falar sobre a última guerra,... E o que são estes temas senão a idéia que fazemos sobre eles? É sobre nós que fazemos a piada.

A quebra do tabu, a quebra do moralmente aceito e esperado pelo que ouvimos todos os dias, pelo que temos inconscientemente estruturado em nós, faz a piada. A capacidade de balancear dois lados - do que é e/ou foi e do que esperamos como conclusão de uma história - com a quebra extremista de nossa expectativa é o que nos faz rir.

Por isso há até piadas sobre o elefante, o pintinho, o tomate atravessando a rua. O que discorre nelas não é nossa visão familiar sobre estes alvos. É o tornar-se familiar que faz a piada não ter a mesma graça (ou simplesmente não a tem) quando ouvida pela segunda vez: já criamos o padrão, já estabelecemos esta possibilidade como final de uma história, não há a surpresa, não há o choque. Consequentemente, não há graça.

Tendo em vista esta base como alicerce do que é engraçado, pode haver quem tente condenar a piada de Danilo Gentili relacionando o metrô de Higienópolis a Auschwitz, mas não se pode condená-la no grau exato do que é motivo de riso e mecanismo de elo entre expectativa e surpresa. Aquilo foi uma piada.

Mas "Eu comeria ela/ e o filho dela/ não tô nem aí." remete-me à imagem de um bêbado em uma confusão no bar, um bando de torcida organizada xingando a mãe do juiz, uma briga de gangues. Isto não surpreende, isto não quebra, isto não critica nem nos faz rir. Ora, que fizesse alguma piada sobre sua qualidade profissional, sua aparência, sua descendência e não teríamos que estar discutindo isto agora. Foi uma agressão gratuita e desmedida.

Os humoristas se apóiam na idéia de que podem fazer piada sobre qualquer pessoa, já que antes de tudo riram deles mesmos. Mas CQC não é show de stand up, você não pagou o ingresso e entregou sua noite ao comediante. Não, talvez deva existir um parâmetro subjetivo – o chamado bom senso – partindo do próprio humorista do que cabe de humor negro na televisão. Afinal, ele está fazendo a piada para o público, não para alimentar sua vaidade de "posso tudo em nome do humor".

Para você que estava assistindo ao vivo o programa e deu risada: hoje, ou está mantendo teimosamente sua opinião de que tem graça, ou pensou melhor e viu que não tinha nada a ver. Não se sinta culpado por ter rido. Já na década de 1950 um interessante experimento feito em teatro pelo comediante Milton Berle constatou que se durante uma série de piadas você inserir frases que não têm graça, as pessoas rirão do mesmo jeito por serem acompanhadas do mesmo ritmo anterior. Agora ouça apenas a frase da polêmica declaração de Rafinha. Tem graça?

Repudio sua atitude, mas perdôo. Nem tudo é preto no branco, amigos. Foi um comediante com uma infeliz frase improvisada. Pecou, sobretudo, ao não baixar a guarda e não se retratar sobre o ocorrido. Ao contrário, seguiu ironizando o episódio e mandando àquele lugar qualquer um que tentasse se aproximar. Da mesma forma, errou a Bandeirantes. Se é por sua empresa que algum funcionário comete alguma falha, ou você abraça a causa ou se livra do problema. Vai deixar um cliente acabar com ele? Sim, porque patrocinador é cliente. Vale mais pra marca anunciar do que pro programa tê-lo como anunciante, afinal o que não falta é empresa querendo bancar o CQC. Se assim não fosse, não teria tanto merchandising lá.

Aos que fervorosamente levantam a bandeira da liberdade de expressão para este caso, usar Rafinha Bastos como modelo é regredir. Concordava com seu afastamento por defender a verdadeira liberdade de expressão da crítica humorística de Marcelo Tas, Danilo Gentili, outros integrantes do programa e outros comediantes do stand up, vendo que esta é uma forma de proteger o resto do grupo das declarações infelizes de um só membro.

Mas daí a suspendê-lo sem previsão de retorno, ouvir falar em pedofilia, ter o Ministério Público no seu pé, o casal Marcus Buaiz e Wanessa Camargo entrando com ação cível por danos morais pedindo R$100mil de indenização e o feto – sim, o feto! – como autor de um processo criminal por injúria que pode levar o humorista a três anos de prisão é desespero.

Aí já é querer ganhar de lavada em cima de um escorregão.
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19 de out. de 2011

ESPECIAL: 5 VISÕES DO HUMOR - "LIBERDADE DE FAZER RIR"

por Leandro Cortiz


Nas ultimas semanas passamos por momentos controversos no que tange ao humor, mais especificamente no confronto criado entre sociedade e humor. Casos de Rafael Bastos que foi afastado do programa CQC por dizer que "traçaria" Wanessa Camargo e seu filho, já que a mesma se encontra grávida, ou mesmo, o sindicato dos metroviarios que solicitou o cancelamento de um quadro no programa Zorra total , por se sentir ofendido pela peça humoristica.

O que se colocou em discussão é até onde pode chegar o humor, até onde vai à liberdade de expressão dos humoristas, onde é a linha divisória entre o fazer rir e o sofrer escárnio. O humor, desde os tempos da Grécia clássica, com seus sátiros no teatro , adentrou a esfera publica e isso torna o assunto pitoresco. Programas humoristicos são veiculados em midias publicas e isso atinge o social em cheio. O que pode ser dito e com o que pode-se brincar para fazer o publico rir? Isso emergiu com força e fomentou as discussões nas redes sociais , nos elevadores e botecos.

No caso de Rafael Bastos, temos uma brincadeira no qual o mesmo dizia querer fazer sexo com uma mulher grávida(Wanesse Camargo), estendeu seu desejo ao feto(ato impossível). Se entrarmos no âmbito subjetivo da discussão, cairemos se a piada faz rir ou não, se é de bom gosto ou não. Esse é um prisma que não deve ser discutido, pois só pode-se aferir a subjetividade no próprio sujeito dono da mesma. A piada fez rir alguns , fez sentir nojo a outros. Por isso o ponto não é esse. Temos de discutir como essa piada atinge o âmbito social, já que foi feita em uma mídia social(TV) em horário de grande audiência. A piada efetuada por Rafael Bastos fomenta crimes? Faz com que os seres humanos mostrem suas faces ocultas da qual somos obrigados a suprimir para viver em sociedade? Fere alguma coletividade de maneira racista/preconceituosa? Creio que não. O que pode ter sido ferido na piada foi a subjetividade da Dona Wanessa Camargo.

Nesse ponto, a ofendida tem todo o direito de ir ao poder judiciário e tentar, por vias legais, restabelecer sua moral ferida. Mas , inicialmente, o caso foi resolvido de forma diversa. Wanessa ,que tem um marido que tem amigos(ex-jogadores de futebol influentes), forçou situações perante os patrocinadores do programa CQC , para que fosse imputada uma coerção a Rafael Bastos. Assim, o humorista foi afastado do programa por sua piada. Fica claro que a brincadeira de Rafael Bastos atingiu pessoas que tem certa influencia no meio televisivo e isso culminou no seu afastamento. Ou seja , o poderio econômico e social , escolheu onde e com quem se pode fazer uma piada.

Um caso emblemático que pode servir como paradigma ocorreu no mesmo Canal televisivo, quando Boris Casoy, no Jornal das 8 , não sabendo que estava sendo gravado, proferiu palavras extremamente preconceituosas para com a profissão de gari. Socialmente falando, Boris Casoy foi muito mais ofensivo e fez aflorar preconceito contra toda uma profissão , que alias é de extrema importancia para qualquer sociedade. Se feriu o âmbito objetivo(social) e não o subjetivo. Porém, sem pressão econômica dos patrocinadores e nem interesse da emissora, Boris Casoy não sofreu nem uma reprimenda publica.

Vê-se nesses dois casos que os limites do humor podem ser chancelados por valores morais( o tal do politicamente correto) , por força de grupos sócio-econômicos e pela lei. Desses três tipos de limite que podem-se opor a liberdade humorística, eu aceito a chancela legal , e ainda com ressalvas(devem ter sido proferidas em um regime não autocrático). Humor é uma das formas de se fazer critica social, é uma forma milenar de criatividade humana. No humor rimos de nós mesmos como humanos, de nós mesmos como sociedade. Aliás , na Terra, o único animal que tem a possibilidade de rir e fazer rir é o humano.

Não falo de ampla liberdade para fazer humor, falo em ampla liberdade nos limites da lei estabelecida por um regime democrático. Se o humor ferir a lei, deve ser atacado nas formas desta mesma lei, mas se não feriu deve ser deixado livre para criar e fazer rir ou não. Se o humor feriu a subjetividade de alguém , que seja interposta ação PELO(A) OFENDIDO(A), para reparação dos danos.

18 de out. de 2011

ESPECIAL: 5 VISÕES DO HUMOR - "LIMITES DO HUMOR"

por Lane Reis


Para dar continuidade as discussões sobre os limites do humor , trago à tona mais um texto da série em que discute sobre este problema, dando maior enfase nesta caracteristica transgressora do humor de romper com normas e valores socais ao partir da polêmica envolvendo o comediante Rafinha Bastos e suas piadas igualmente polêmicas que repercutiram negativamente em toda a rede, gerando indignações inflamadas de toda a sociedade

Embora concorde que o humor deve ter limites e que estas e outras piadas foram extremamente grosseiras, abjetas e odiáveis. Coisa de se ofender, criticar e se indignar devo também ter que concordar que humor não nasceu para ser inteligente, politicamente correto ou ético. Humor nasceu para ser engraçado, provocador e ridicularizar o cotidiano.

Acho que o humor está tradicionalmente relacionado a liberdade, à infração de normas que por algum motivo sufocam os sujeitos em determinados contextos. Por isto também acaba invadindo o espaço do preconceito, das ofensas e generalizações baratas, mas excessos não é privilégio do mesmo, pelo contrário, existe movimentos tão legítimos como “o politicamente correto” que muitas vezes atuam de forma sufocante, castradora, dentre outros excessos. Além disso, o ‘politicamente correto” trouxe também confusões relacionadas a tudo aquilo que não se encaixa nos seus padrões. Logo se você não segue esta tendência, é um transgressor, reacionário e conservador, pois agora o “politicamente correto “ é o parâmetro adotado pela sociedade ( ou alguns grupos sociais) para determinar os critérios daquilo que é correto ou não fazer na vida social.

Entretanto, acredito que o humor não deve servir de justificativa, tampouco a liberdade de expressão para que o indivíduo cometa qualquer tipo ato eticamente condenável, pois o humor a partir do momento em que é considerado uma visão de mundo, tanto quanto qualquer outra visão de mundo costuma ser preconceituosa, generalizante, passível de cometer gafes e excessos.

E como toda visão de mundo ela deve ser conduzida pela ética e o bom senso. Entretanto, esta moça que vos fala acredita que bom senso não é um das maiores qualidades do ser humano. Tanto é que existe leis para definir quais os limites de todas as ações humanas em sociedade.

Porém, também acredito que somente aquele que foi atingindo por uma piada ou brincadeira de mal gosto é que pode responder pelas ofensas. Só uma mulher-mãe que amamenta pode falar se está se sentido ridicularizada ou não com uma piada machista. Do mesmo modo os transexuais é que podem falar que se sentem agredidos quanto estão sendo carocaturados em um programa de humano. Se são as mulheres que estão sendo desmoralizadas com uma piada machista em que chama a mulher de interesseira e assim por diante. Acho que não são aqueles que não fazem parte do grupo ofendido que pode falar pelos mesmos para muitas vezes mostrar que é “politicamente consciente”.

Por outro lado, não vejo problema em usar estereótipos no humor como gays, transexuais, peruas, a patricinha, o garanhão, o intelectual, etc. Há inúmeras formas de a fazer humor com estas figuras sem precisar ofendê-las, ser generalizante ou preconceituoso. Em filmes de comédia americanos teens como, por exemplo, “Ela é Demais”, “Meninas Malvadas” eu gosto muito porque ele expõe o quanto é ridículo o cotidiano de uma escola divididas entre grupinhos tipos de uma High School norte-americana ( populares, drogados, nerds, fortões, etc.) representando situações de forma escrachada e expondo todos os tipos humanos ao ridículo, nos mostrando o quanto somos idiotas mesmo quando somos sérios, descolados ou ecologicamente conscientes.
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17 de out. de 2011

ESPECIAL: 5 VISÕES DO HUMOR - " LIMITES DO HUMOR: O MÉRITO DA QUESTÃO"

Por Pilão de Moraes


Desde a última nota que versava sobre o assunto (“Por que Rafinha Bastos foi afastado do CQC”, disponível aqui), tenho sido chamado a fazer justamente aquilo que pretendia evitar: analisar o mérito da questão. Pois bem. Antes de atacar o hardcore, talvez seja oportuno limpar o terreno e estabelecer certos parâmetros.

Pra começo de conversa: nesta discussão geopolítica sobre os “limites do humor” onde, como numa guerra, cada lado tenta avançar sobre o território inimigo, interessa-me muito menos a área em litígio a ser demarcada e muito mais quem se encontra com o giz à mão. Explico.

Parece-me ponto pacifico que todo direito, toda “liberdade”, tem limites em um Estado Democrático de Direito. Logo, não existe liberdade de expressão irrestrita, da mesma forma que, por exemplo, não existe direito de propriedade ou de sigilo irrestritos. Cai por terra então um dos argumentos mais utilizados: “o humorista deve ter liberdade total para falar sobre o que quiser”. Certamente não tem, assim como qualquer pessoa.

Ademais, tomar Rafinha Bastos como símbolo da luta por “Liberdade de Expressão” faz tanto sentido quanto eleger a Mulher Melancia como mártir do movimento feminista na luta por isonomia e igualdade de gênero. Presumo que da mesma forma que as mulheres não queimaram sutiãs para ter o “direito” de dançar o creu e participar de “A Fazenda”, os pensadores e ideólogos liberais não escreveram extensas obras, séculos a fio, para que se pudesse ter o “direito” de dizer aos quatros ventos que mulheres feias deveriam agradecer se fossem estupradas.

Há às vezes uma certa confusão entre direito e liberdade, da mesma forma que se confunde ironia e grosseria.

Bem, se não há liberdade total então, eis a censura! Esta é a seqüência lógica da argumentação. Voltemos, pois ao giz.

Quando alguém é silenciado, cerceado sumariamente, sem direito de defesa e investigação, ou ainda, por toda sorte de meios extra, infra, para ou ilegais, configura-se prática de censura (aliás é bom lembrar que existem vários tipos de censura que não apenas a oficial). Foi o que de fato tomou corpo a partir do momento que a Band aceitou que a pressão do mercado publicitário (Marcos Buaz, marido de Vanessa) influísse no conteúdo de seus programas e em seu elenco. Como já disse anteriormente, o correto seria demitir Rafinha Bastos imediatamente, se a piada fosse considerada inadequada, ou então, assumir a responsabilidade e blindar o comediante (opção feita, por exemplo, no gravíssimo “Caso dos Garis” envolvendo Boris Casoy). A Band acabou optando por não fazer nenhuma coisa, nem outra. Ficou com o pepino na mão e a imagem arranhada.

Por outro lado, quando a sociedade se manifesta através dos vários canais de opinião pública, posicionando-se, questionando a validade, moralidade ou qualidade de qualquer coisa, não estamos falando de censura, mas de limites. Esta premissa também é válida para o “Caso Rafinha”. Independente da forma inadequada com que a Band tratou o assunto, não é possível fechar os olhos para um ponto fundamental: a sociedade rejeitou, em peso, o comentário e a atitude de Rafinha. E não está fazendo nada além do que exercer seu direito. Está com o giz à mão.

É o público que deve dizer até onde as piadas devem ir. Se o público brasileiro reprova a idéia de falar sobre estupro e amamentação no humor, cabe ao humorista compreender isto. Nadar contra a maré e fazer o estilo “marginal” pode ser uma opção. Assume, por tanto, o risco. Se bem que, talvez, a televisão não seja por excelência o melhor lugar para a transgressão e experimentação. É bom lembrar que este estilo de humor mais “ácido” surgiu nos EUA em pequenos clubes e casas, ou seja, para um público bem restrito. Repetir este estilo num meio de comunicação de massas, com bilhões de reais em jogo e em horário nobre, definitivamente não é a mesma coisa. Como já disse anteriormente, televisão não é youtube.

O que devemos reiterar à exaustão nesta discussão de “limites para o humor” é que não aceitamos qualquer tipo de censura, influência, carteirada ou “jeitinho” de quem quer que seja. Não importa o quão rico ou poderoso seja: não aceitamos ceder o giz. Cabe a qualquer cidadão recorrer e manifestar-se pelas mesmas vias: escrevendo uma carta aos jornais, postando um texto ou vídeo na internet, criando uma campanha de boicote, denunciando ao Ministério Público, ajuizando ação na justiça. Em outras palavras: cabe a nós, sociedade civil, manifestada através dos mais variados canais que compõe a opinião pública, fazer esta discussão e impor estes limites. E foi exatamente esta discussão ampla que condenou Rafinha, acima de tudo.

Isto não quer dizer que o gosto do público seja imutável ou que as pessoa sejam avessas à novidades. Ao contrário, o próprio sucesso desta nova geração de comediantes vindos do stand-up atesta o gosto do público por novas atrações e novos formatos. Talvez seja necessário ir um pouco mais devagar e, principalmente, com mais bom senso. Temos por tradição muito mais um humor que cutuca, do que aquele que contunde .. e isso não se altera da noite por dia. Talvez, como já disse, ainda confundamos "politicamente correto" com "politicamente aceito", o que é sintomático e diz muito sobre a sociedade brasileira.

Contudo, apesar dos pesares, a opinião pública brasileira deixou o seu recado. Resta-nos esperar que todas as partes envolvidas (Band, Rafinha, Cuatro Cabezas, Vanessa e Marcos Buaz) ouçam: "Estamos com giz à mão".

10 de out. de 2011

EDITORIAL: Aonde o Pânico quer chegar com Edinéia?

Mais do que uma nota de opinião strictu sensus, este texto é fruto de um questionamento que muitas pessoas têm me feito e que, sinceramente, não sei responder: aonde o Pânico quer chegar com Edinéia?

Se você não sabe quem é a Edinéia:





Estes vídeos bombaram como "viral" na internet à uns 2 ou 3 meses atrás, via kibeloco, nao salvo e outros blog's do genêro e acabou chamando à atenção do pessoal do Pânico na TV. Não que o Pânico tenha a "descoberto". Ela já esteve na Eliana anteriormente e tal. Mas enfim ..

Resultado: mais uma (chata) novelinha do Pânico.

Já não é de hoje que o Pânico vem apostando nesta linha de "novelinhas" pra arrebanhar audiência.

O mecanismo é sempre o mesmo: um desconhecido, uma campanha no twitter, uma "nova febre".

Foi assim com Zina, Gorete, Gabi (fã do cantor Poncho) ... e por ai vai.

No começo, estes quadros tinham um tom de crítica ás pessoas que fazem tudo pela fama, à forma como a imprensa aborda (e amplifica) estes 15 minutos de fama.

Era a época de um Pânico mais "ideológico". Hoje os tempos são outros ..

A questão é que brincar com o sonho dos outros não é brincadeira. "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" .. certo?

Pois é. Essa moça está curtindo um grande barato: o sucesso instântaneo.

Todo mundo coloca pilha, dá esperança.

Ontem no "teste de estúdio" feito por Franco Scornavacca (KLB) ela foi aconselhada à "seguir seus sonhos".

Ok. Alguém teria coragem de falar algo diferente pra alguém que saiu (ou foi retirada) do sertão da Bahia para São Paulo, em busca da fama?

Agora, mesmo tendo em conta a história de luta, etc, etc, algúem tem coragem de dizer que Edinéia é boa cantora? Basta ver os vídeos.

Edinéia bombou na internet justamente por suas "peculiriadades": clipes toscos, letras sem concordância verbal, visual ... bem ... esse visual.

O Pânico esta incensando Edinéia. Ela está cada vez mais convencida de que é algo que definitivamente não é: uma cantora de sucesso.

Será que, quando a novelinha acabar, a luz apagar e a cortina fechar, o Pânico vai continuar "ajudando" Edinéia?

E principalmente: como será este (inevitável) retorno ao ostracismo?

O Panico fica. Edineias vêm e vão. A questão é: isso é correto?
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3 de out. de 2011

EDITORIAL: Por que Rafinha Bastos foi afastado do CQC?

Por Pilão de Moraes
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De forma discreta e indireta, no Pânico na TV de ontem (2/10), Emílio Surita se pronunciou sobre aquilo que se viria a se confirmar mais tarde: o afastamento de Rafinha Bastos do CQC. Não foi, contudo uma defesa propriamente dita. Surita limitou-se a criticar os críticos, ou seja, os jornalistas, dizendo algo como “se o nível do humor não esta bom, o dos jornalistas é pior”. Vale lembrar que esta não é a primeira vez que o apresentador se posiciona a favor de Rafinha. Além dele, Danilo Gentile (também de forma velada – via twitter) defendeu o humorista que vem sendo bombardeado de todos os lados nas últimas semanas, inclusive pelos seus próprios colegas de bancada Marco Luque e Marcelo Tas. Este texto (é bom avisar) não tem por objetivo analisar o mérito da questão, ou seja, se a piada foi ou não de mau gosto. Considero esta é uma questão improfícua e circular, já que a aprovação (ou não) da piada é algo relativo a quem ouve: para alguns “pegou mal”, para outros não; embora sem dúvidas os primeiros sejam a maioria. A verdadeira questão, ao meu ver, não está no conteúdo deste episódio isolado, mas sim no contexto mais amplo em que ele se insere. Um contexto de conflito aberto. Guerra.

Os primeiros movimentos deste conflito datam de maio deste ano, quando a polêmica gerada por um comentário de Danilo Gentile no twitter que relacionava os trilhos do metrô paulista aos vagões nazistas do Holocausto era a bola da vez (ainda que pouco tempo antes, em virtude da estréia de Legendários, tenha havido um breve prólogo deste conflito sob os termos de “Humor do Bem” x “Humor do Mal”).

Como de costume, muitas análises e comentários pipocaram pela mídia escrita, blogs e colunas. Mas entre todos, vale destacar “Politicamente fascista” (18/05 - MARCELO COELHO - FOLHA ILUSTRADA) e “A Moda do Reaça” (23/05 – MARCELO RUBENS PAIVA – BLOG'S ESTADAO). Em Rubens Paiva, a critica não se dirige direta e exclusivamente à humoristas e comediantes, mas sim à uma certa “DiogoMainardização da imprensa e da pequena burguesia brasileira (..)”, além da “recusa ao pensamento humanista que ressurgiu após a leva de ditaduras” que qualifica como “neofascismo”. É uma análise mais voltada para a sociedade e seus valores, algo que fica claro no emprego da expressão “moda”. Já em Coelho, fica evidente que o foco é o humor, especialmente aquilo que chamou de “politicamente incorreto”: “O problema é que "politicamente incorreto", na verdade, é um rótulo enganoso. Quem diz essas coisas não é, para falar com todas as letras, "politicamente incorreto". Quem diz essas coisas é politicamente fascista”. Salta aos olhos (pelo menos aos meus) o emprego, em ambos, da expressão fascista. Parafraseando Rubens Paiva: “Os ânimos estão acirrados”. Talvez ele não tivesse percebido: estava no meio de uma guerra.

Parece-me bastante claro que o que está em jogo aqui não é o conteúdo “impróprio” de uma piada isolada, tão pouco a opção por temáticas esta ou aquela temática em textos de humor. O que está em jogo aqui na verdade é: o que é engraçado? Mais que isso: o que pode ser considerado engraçado?

Lembra-me um pouco aquela situação que todo mundo já deve ter passado: quando alguém, mais velho, tropeça na rua e cai, você ri?

Esta é uma questão que diz muito sobre o que as pessoas consideram ou não engraçado. E na verdade, diz muito sobre os lados deste embate. De um lado os ditos “defensores da liberdade de expressão”, certos de que as coisas não devem ser levadas tão a sério, apóiam o riso. De outro lado, os “defensores da responsabilidade moral e social”, certos de que nem tudo deve ser objeto do riso ou do escárnio, pregam limites. É justamente assim que Tony Góes intitula seu artigo de hoje: “Tudo tem limite, até o Rafinha Bastos”. Nina Lemos em “Rafinha Bastos: o aluno arrogante que foi suspenso da escola” contribui para esta discussão com novos termos: o politicamente chato x politicamente fascista. Inegável mente, o tom que perpassa todo o seu texto é o de “bem feito”.

Há uma guerra em curso. Rafinha Bastos é apenas a primeira baixa oficial dela. No fim das contas, o que esta em jogo não é o tipo, qualidade ou teor do humor, mas sim o que nós entendemos (ou deveríamos entender) por engraçado. Essencialmente: qual papel cabe ao humor em nossa sociedade? Até onde ele pode ir? Talvez por isto a discussão de “limites para o humor” seja tão atual.

A cada piada “polêmica”, a cada fala que “pega mal”, volta à baila a discussão de limites para o humor. Jornalistas, intelectuais e sabichões de plantão tomam os sites, blogs e jornais com o intuito de julgar, separar o que pode ser considerado como “humor do bem” e “humor do mal”. Para além das (chatas) discussões de bem e mal ou de politicamente correto ou incorreto, é importante apontar algumas coisas.

Num Estado Democrático de Direitos, como o Brasil é (apesar dos pesares), para cada direito corresponde um dever. Ou seja, para o direito de liberdade de expressão e opinião, corresponde o direito de responder, inclusive perante a justiça, sobre suas declarações. Foi justamente o que aconteceu com Rafinha Bastos após ter feito piadas que supostamente incentivavam a prática do estupro. Pois bem. Se o humorista responde por suas declarações e se coloca a disposição para fazer qualquer esclarecimento a respeito de suas piadas, onde está a falta de ética ou a prática política incorreta?

O que talvez esteja por trás destas polêmicas é a relutância que o brasileiro tem de rir de temas “polêmicos” e principalmente, de encarar a comédia e o humor como formas de critica e reflexão social. Por mais doloroso que possa ser os norte-americanos, por exemplo, não se negam a abordar os acontecimentos de 11 de Setembro em suas sátiras e shows de comédia, justamente porque enxergam no humor ácido e politizado uma instância de crítica legitima a forma como o Governo e a própria sociedade respondeu ao ocorrido. Pode nos parecer mórbido, anti-ético, mas é real. Nada que uma visita ao youtube não confirme. Por que será então que para nós brasileiros hajam tantos temas tabus, “politicamente incorretos”, indevidos para textos de comédia?

Não sei. Talvez o longo período de censura e de ausência de imprensa livre tenha desacostumado a sociedade brasileira em geral à crítica. Paulo Francis, alguém considerado “polêmico”, costumava dizer que: “Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica”. Logo, talvez nossa idéia de politicamente correto seja perigosamente um sinônimo de politicamente aceito, ou seja, aquilo que não contrapõe, questiona ou critica. Eis ai uma grande questão: o que será mais perigoso para a sociedade, um humor que questiona, crítica e incomoda ou outro que apenas aceita, reproduz e aliena?

Por outro lado, Rafinha Bastos não foi punido em virtude de uma crítica, mas sim por uma piada (supostamente) de mau gosto, o que afasta, pelo menos a principio, a hipótese de censura. Certo?

Isso depende do que você considera como censura.

É curioso, curiosíssimo que, diante de tantas piadas iguais ou piores, apenas aquelas que "mexem" com a família de "gente importante" é que causam este rebuliço. Mais. Quando o alvo da gozação (que beirava o bullying) era a cantora Preta Gil, alguém por acaso viu Gilberto Gil entrando em contato com a direção da Band? Pois é. E será que Gil não é “importante”?

Sinceramente não sei se foi uma piada boa ou ruim, se estava no roteiro ou se foi caco, se é politicamente correta ou incorreta. Pra mim, o diabo é que mais uma vez neste país empurramos à resolução das questões para os bastidores. Pior. Submetemos-nos ao crivo, à influência dos ditos “importantes”. Se a piada foi assim tão desprezível, Rafinha deveria ser acionado judicialmente e demitido por justa causa. Ponto. Mas ao aceitar que pressões externas, mais precisamente do mercado publicitário ($$), determinem o que pode e o que não pode ser objeto de riso, a Band presta um desserviço à democracia. Por quê? Simples. Cabe aos telespectadores dizer sobre o que querem ou não rir. A melhor arma, e a que de fato faz diferença neste caso, não são as colunas de jornal, os blogs ou redes sociais, mas sim o controle remoto.

E quanto aos humoristas e comediantes talvez esteja na hora de acordar para o fato de que tomar os espaços na mídia escrita, falada e televisiva pode não ser tão fácil como parecia. Televisão não é vídeo blog. Ou se aprende à lutar o bom combate, ou outras baixas virão.
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28 de set. de 2011

EDITORIAL: OS LIMITES DO HUMOR


A cada piada “polêmica”, a cada fala que “pega mal”, volta à pauta a discussão de limites para o humor. Jornalistas, intelectuais e sabichões de plantão tomam os sites, blogs e jornais com o intuito de julgar, separar o que pode ser considerado como “humor do bem” e “humor do mal”. Para além das discussões de bem e mal ou de politicamente correto ou incorreto, se faz necessário tecer alguns apontamentos.

Num Estado Democrático de Direitos, como o Brasil é (apesar dos pesares), para cada direito corresponde um dever. Ou seja, para o direito de liberdade de expressão e opinião, corresponde o direito de responder, inclusive perante a justiça, sobre suas declarações. Foi justamente o que aconteceu com Rafinha Bastos após ter feito piadas que supostamente incentivavam a prática do estupro. Pois bem. Se o humorista responde por suas declarações e se coloca a disposição para fazer qualquer esclarecimento à respeito de suas piadas, onde está a falta de ética ou a prática política incorreta? Difícil dizer.

O que talvez esteja por trás destas polêmicas é a enorme dificuldade que o brasileiro tem de rir de temas espinhosos e principalmente, de encarar a comédia e o humor como formas de critica e reflexão social. Por mais doloroso que possa ser, os norte-americanos não se negam a abordar os acontecimentos de 11 de Setembro em suas sátiras e shows de comédia, justamente porque enxergam no humor ácido e politizado uma instância de crítica legitima à forma como os políticos responderam ao ocorrido. E por que então o brasileiro prefere tornar estes temas tabus ao invés de encará-los de frente?

Pode se dizer que são vários os fatores que explicam isso. Eu diria que talvez o longo período de censura e de ausência de imprensa livre desacostumou a sociedade brasileira em geral à crítica. Paulo Francis, alguém considerado “polêmico”, costumava dizer que: “"Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica”. Logo, talvez nossa idéia de politicamente correto seja perigosamente um sinônimo de politicamente aceito, ou seja, aquilo que não contrapõe, questiona ou critica. Eis ai uma grande questão: o que será mais perigoso para a sociedade, um humor que questiona, crítica e incomoda ou outro que apenas aceita, reproduz e aliena?
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19 de set. de 2011

EDITORIAL: Uma tarde na BAND

Vida de quem trabalha na televisão é fácil, certo? Errado.

Na última quinta feira senti na pele a dificuldade que é gravar um programa como "Agora é Tarde".

Não são assim tantas tomadas, nem tantos erros que precisem ser cortados. Mas espera-se muito pra gravar.

Muuuuito!

O convidado atrasa, o roteiro esta bagunçado. Na gravação que acompanhei estavam sendo rodados partes de 2 episódios diferentes. Imagine ter que administrar toda essa confusão e ainda ser engraçado.

Definitivamente não é fácil.

Em conversa, já na calçada, com o Murilo Couto fui perguntado se preferia assistir o programa em casa ou Ao Vivo. Disse á ele que Ao Vivo. Mas na verdade, no quesito conforto, o sofá é imabatível.

O bacana de tudo é ter a oportunidade de sacar que aquelas pessoas são reais e que tem preocupações, dúvidas e problemas como todo mundo.

Confesso que, bem no começo, a sensação era de que havia um vidro dividindo a platéia e o palco, sensação ainda mais reforçada no momento em que o elenco começou a chegar. Pareciam gigantes! Claro .. se a sua referência é a escala da TV ... rs.

É isso. Curti. É um programa que tem tudo pra dar certo, unicamente por um detalhe: só tem gente competente no que faz.

Simples assim

Mensão honrosa à Léo Lins e Murilo Couto que embora tenham participações diminutas são, sem dúvidas, os mais atenciosos e bacanas com a platéia.
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